terça-feira, 24 de abril de 2012

Poema de la Alameda


Por Santiago Roaux


¿Por qué dormías a esa hora

recostada en la alameda? ¿Por qué

a esa hora y en la alameda? ¿Venías de la huerta

y el sueño te alcanzó en el camino?

¿O fue alguna otra sombra

la que te abordó, digamos la tristeza?

¿Andabas triste últimamente? ¿Era eso?

¿Por qué fingías entonces

no necesitar a nadie?

¿Querías cuidarnos? ¿Por eso te escondías?

¿O te costaba mencionar ciertas palabras, ciertos

pasajes de tu vida?

Vos, que cuidabas de todos,

¿dónde guardabas tus propias penas, en qué baúl

del alma las preservabas?

¿Era grande tu peso? ¿Te agobiaba?

¿Por eso llegaste a la alameda?

¿Necesitabas olvidarte

por un rato de todo,

dormir como lo hacen los niños,

ajenos al mundo y su caos?

¿Querías no pensar en nada,

en nadie?



¿Lo lograste?

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Estrela


Então me diz
Como são as estrelas
De perto
E a lua
Que não te dei por não possuir
Me fala do ar
Do céu
Me conta das orquídeas
Do mar aberto
Do verde que te tinha
Dos passeios em dia de chuva

Meu menino
Foste sem despedida
Mas deixaste um jardim de sonhos
E as flores sorriem teu sorriso
Eterno
Eternamente


Te amo sempre
Mayke!

sábado, 24 de março de 2012

Um instante

Ferreira Gullar

Aqui me tenho
Como não me conheço
nem me quis

sem começo
nem fim

aqui me tenho
sem mim

nada lembro
nem sei

à luz presente
sou apenas um bicho
transparente


sexta-feira, 9 de março de 2012

Antes de amanhecer uma barata

Esta madrugada
eu pretendia descansar.
O mundo me atravessando avassalador
ofegante desejo de erguer as pernas
dês
cansar.
Então, tomei os comprimidos
de tédio
o mesmo livro de sempre
e uma barata cruzou o quarto
uma barata muito grande
quatro tentativas de eximir
uma espécie antes do amanhecer
asquerosa
me enfrenta, passeia na sala.
Mudo de quarto
ela entra pela fresta da porta
não vou apagar a luz
ela gosta de escalar
corpos vivos,
edredons
gavetas de papéis
pode querer minha boca.
Abro as janela,
ego o chinelo
quase vencida
matoa-a.

Preciso de mais naftalina 
ou coragem
penso.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Dis pensar

Tem dias pra se pensar
E tem dias pra se dispensar
Dispensar tudo
Ficar só com o pouco ou o nada
E logo perceber que nada é tudo
Tudo que se tem

Eu sou tudo que eu tenho
Tendo nada
Nada tenho a perder

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A luz pela janela




Quando menos se espera
A face do amor na janela
Olhando pra dentro
Sorrindo matreiro
Trazendo a luz
De um dia inteiro
Do sol de janeiro
Aquece o peito
Que bate satisfeito
À espera
De pular a janela

sábado, 19 de novembro de 2011


De repente 
você     entende
o erro         passado
o desvio         acertado
o u t r o r a    i n c e r t o

D e   r e p e n t e    v u l c ã o
tormenta                     ebulição
um sonhar                     acordado
escutando                         a canção

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Patchwork


Pra você que eu esperei a vida inteira - KP

Amo todos os pedacinhos de você
Tua pele Cetim quando encobre meu corpo
O beijo Camurça quando toca meus-teus lábios
A voz Brocado quando soa “te adoro” em meus ouvidos
A mão Challis quando acarinha meus cabelos
O peito Etamine quando esquenta meu coração antes gelado
O braço Faillete quando aperta minha alma que tenta entrar na tua
O abraço que me enroupa, me aperta, e me faz sonhar
Em estar desnuda somente pra você
Por toda eternidade

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A única verdade é o agora!


Se eu for


Saiba que eu estive lá


Quero esquecer um pouco o sou
Lembrar de estar
Mais alí




E eu vou


Vou lembrar de cada tudo


Tudo à sua hora
Mas estar agora
mais aqui

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os Ombros Suportam o Mundo

É Drummond, no meio do caminho tinha o Halloween, e quase ninguém lembrou do teu dia.
Parabéns pra você Carlos Drummond de Andrade!




Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação